Como treinar seu dragão no cinema: a trilogia, a refilmagem e a ordem para assistir
Por Melina Fraga · 16 de agosto de 2026 · 5 min de leitura

Poucas franquias de animação conseguiram três filmes de qualidade consistente e um encerramento que fecha a história de verdade. A saga do jovem viking e do dragão que ele deveria abater é uma delas, e voltou às conversas com a chegada da versão em imagem real aos cinemas, em 2025.
Este guia organiza a ordem de exibição, explica o que é canônico e o que é material complementar, resume a origem literária e responde às dúvidas mais comuns de quem vai apresentar a série a alguém pela primeira vez.
Como treinar seu dragão no cinema: a ordem correta dos filmes
A trilogia animada é a espinha dorsal e deve ser vista na ordem de lançamento, porque a narrativa é contínua e os personagens envelhecem entre um filme e outro.
- Como Treinar o Seu Dragão, de 2010, apresenta Soluço, a ilha de Berk e o encontro com o dragão Banguela.
- Como Treinar o Seu Dragão 2, de 2014, faz um salto de cinco anos e amplia o mundo, com a descoberta de outros povos e de outros dragões.
- Como Treinar o Seu Dragão 3, de 2019, encerra o arco com a decisão que separa humanos e dragões.
Entre os longas existem curtas e especiais, além das séries animadas produzidas para televisão e streaming, que preenchem o intervalo entre o primeiro e o segundo filme. São complementares e agradáveis, mas não são necessários para entender a trilogia.
A versão em imagem real, lançada em 2025, recontou a história do primeiro filme com atores. Ela não continua a trilogia: é um recomeço. Quem nunca viu a série pode começar por ela ou pela animação de 2010 sem prejuízo de compreensão.
De onde vem a história
A origem é literária. A escritora britânica Cressida Cowell publicou, a partir de 2003, uma série de livros infantojuvenis sobre um menino viking desajeitado e um dragão pequeno e teimoso. São doze volumes, com humor bastante diferente do tom dos filmes.
A adaptação para o cinema alterou quase tudo, exceto a premissa e alguns nomes. No livro, Banguela é minúsculo e falante, e Soluço enfrenta desafios em outra chave. A própria autora comentou, em entrevistas, que preferiu tratar as duas obras como universos separados.
Essa distância entre livro e filme não é exceção. É o padrão em adaptações de obras infantojuvenis, como acontece também com a obra do pequeno príncipe e sua origem, cujas versões audiovisuais raramente reproduzem a estrutura original.
Por que a trilogia funciona tão bem
Um protagonista que resolve por observação
Soluço não vence pela força. Ele desenha, mede, testa e conserta. A virada do primeiro filme acontece porque ele repara em um detalhe do comportamento do dragão que ninguém mais notou. É raro ver curiosidade tratada como heroísmo em filme de aventura.
Consequência real
A série aceita perdas permanentes. Personagens sofrem danos que não são desfeitos, decisões custam caro e o encerramento envolve uma renúncia difícil em vez de uma vitória confortável. Isso dá peso ao conjunto e explica a fidelidade do público que cresceu com os filmes.
Trilha e voo
A trilha composta por John Powell é peça central da identidade da franquia e recebeu indicação ao Oscar já no primeiro longa. As sequências de voo, por sua vez, foram construídas com direção de fotografia que simula câmera real, com trabalho do diretor de fotografia Roger Deakins como consultor visual, o que rendeu à série uma linguagem mais próxima do cinema de ação do que da animação convencional.
A questão da idade recomendada
A trilogia costuma ser classificada como livre ou para maiores de dez anos, dependendo do filme e do país. Há sequências de batalha, personagens em risco e momentos de luto que podem impressionar crianças muito pequenas, especialmente no segundo e no terceiro longas.
Na prática, funciona bem a partir dos seis ou sete anos com adulto por perto, e muito bem a partir dos dez. Vale a mesma recomendação que se dá para contos clássicos: conhecer o conteúdo antes ajuda a conversar depois, como no caso de a história do patinho feio em sua versão íntegra.
O trabalho técnico por trás das cenas
A franquia é frequentemente citada em discussões sobre montagem de animação, porque as cenas de voo exigiram planejamento de câmera virtual bastante próximo do que se faz em live action. A lógica de cortar movimento contínuo sem perder orientação espacial é a mesma que orientou décadas de trabalho analógico, tema tratado em os equipamentos de montagem de filmes no cinema.
Outros textos sobre cinema, séries e cultura pop estão em acompanhe a pista de Entretenimento.
Perguntas frequentes sobre os filmes
Quantos filmes de Como Treinar o Seu Dragão existem?
São três longas animados, lançados em 2010, 2014 e 2019, que formam uma trilogia contínua. Existem ainda curtas, especiais e séries animadas complementares, além da versão em imagem real de 2025, que reconta a história do primeiro filme com atores em vez de continuar a série.
Qual a ordem certa para assistir?
Assista aos três animados na ordem de lançamento, porque a narrativa é contínua e os personagens envelhecem entre os filmes. As séries e os curtas se encaixam entre o primeiro e o segundo longa, mas são dispensáveis. A versão com atores pode ser vista antes ou depois, de forma independente.
O filme é fiel aos livros?
Não. A série literária de Cressida Cowell, iniciada em 2003, tem doze volumes com tom, enredo e personagens bastante diferentes. Banguela, por exemplo, é pequeno e falante nos livros. A própria autora tratou publicamente as duas obras como universos separados que compartilham apenas a premissa.
A partir de que idade dá para assistir?
Funciona bem a partir dos seis ou sete anos com um adulto por perto, e sem ressalvas a partir dos dez. Os dois últimos filmes têm sequências de batalha, personagens em risco e um momento de luto que costuma impressionar crianças menores.
Leia também: acompanhe a pista de Marketing.